Review: A Cor do Leite - Nell Leyshon


Título: A Cor do Leite
Título Original: The Colour Of Milk
Autora: Nell Leyshon
Tradutor: Milena Martins
Gênero:  Ficção inglesa, Literatura Internacional.
Fixa etária: -
Editora: Bertrand Brasil
Ano copyright: 2012
Ano de Edição: 2014
Edição: 1
Idioma: Português
Página: 208

Sinopse: Uma história sensível de superação e coragem em 1831, uma menina de 15 anos decide escrever a própria história. Mary tem a língua afiada, cabelos da cor do leite, tão brancos quanto sua pele, e leva uma vida dura, trabalhando com suas três irmãs na fazenda da família. Seu pai é um homem severo, que se importa apenas com o lucro das plantações. Contudo, quando é enviada, contra a sua vontade, ao presbitério para cuidar da esposa do pastor, Mary comprovará que a vida podia ainda ser pior.

Sem o direito de tomar as decisões sobre sua vida, Mary tem urgência em narrar a verdade sobre sua história, mas o tempo é escasso e tudo que lhe importa é que o leitor saiba os motivos de suas atitudes.

'A cor do leite' apresenta a narrativa desesperada de uma menina ingênua e desesperançosa, mas extremamente perspicaz e prática. Escrito em primeira pessoa e todo em letras minúsculas, o texto possui estrutura típica de quem ainda não tem o pleno controle da linguagem. A jovem narradora intercala a história com suas opiniões, considerados por alguns críticos os trechos mais angustiantes da obra.
*Não contém spoiler.

Olá!

Antes de você começar a ler sobre a minha visão da história, recomendo que você leia a sinopse acima. Decidir não escrever um resumo da história para não ficar repetitivo e, parti direto para a resenha.
" Mas tem vezes que a memória guarda coisas que a gente não quer nunca mais ouvir falar e não importa quanto a gente tenta tirar elas da cabeça. elas voltam. " 
História curta e que flui normalmente. Os Capítulos são divido pelas estações do ano, começando na primavera. É contada por Mary, uma personagem com o vocabulário bem grosseiro por falta de estudo, mas conseguiu aprender o suficiente para contar essa história. A narrativa é pessoal, como se ela estivesse escrevendo uma carta ao leitor. No inicio a narrativa pode não fazer sentindo, mas é esclarecida no final. 

Com uma história cruel e triste. Não acontece grande reviravolta. O ponto forte da história é o final, antes disso pode ser um pouco tedioso. É um livro bom para quem quer algo despretensioso. Apesar de se tratar de uma ficção que se passa no século XIX, não está longe da realidade. Há muito temas que estão presente até hoje na sociedade. Relatas assuntos como autoritarismo e machismo.
“o senhor não fica triste?, eu perguntei.

não por muito tempo.

nem eu, eu falei. tem umas vezes que eu tenho que ficar me lembrando que estou triste senão eu começo a ficar feliz de novo."
Não esqueça de comentar se já leu ou tem interesse em ler A cor do Leite. 

O que fazer em meio à guerra?

    Nós vivemos hoje em um mundo onde a vida do outro é completamente banalizada. Dói falar isso, mas nós literalmente não estamos nem aí para o que acontece no Oriente Médio, por exemplo. Você pode achar que eu estou sendo radical demais nessa fala, mas me responda uma pergunta: O que você fez hoje para conscientizar alguém de que precisamos salvar o mundo de um conflito generalizado? E é exatamente isso que eu quero discutir, precisamos de ações concretas, o mundo grita pavorosamente, implora nossa ajuda, e nós continuamos a explorar, até o dia em que esse conflito irá bater na nossa porta, e talvez seja tarde demais para fazer alguma coisa.
    É triste falar isso, mas a história que estudamos em livros parece cíclica, a forma que as guerras começam pelo mundo parecem semelhantes. Veja os EUA lançando mísseis contra países do oriente e matando civis, e ainda justificando estes atos como algo que "nos protege de uma ameaça maior". Em 2003 eles fizeram o mesmo durante a invasão do Iraque, a troco de que exatamente? Eles tentaram extinguir o grupo terrorista Al Qaeda, mas tudo que conseguiram foi apreender algumas armas (que até hoje nunca foram vistas), e dar forças para a criação de outro grupo extremista, o Estado Islâmico que hoje eles combatem.
    De fato, estes grupos extremistas precisam ser extintos, mas a forma com que as potências militares agem são realmente eficientes? Quantos civis são mortos todos os dias sem saber o que acontece ao seu redor? E nós só noticiamos estes fatos, nada mais. A compaixão para com o outro está acabando, e nós não podemos deixar este sentimento se esvair, precisamos lutar, se não for com armas que seja com o amor que nós temos, que seja com o altruísmo, que seja com tudo, menos com a indiferença.
    Soluções ainda não temos, infelizmente. Precisamos, para começo de conversa, conhecer aquele que sofre, e analisar o que ele realmente precisa, não podemos fazer com que esse tipo de notícia seja algo que não abale nossos sentimentos. Amar ao próximo como amamos a nós mesmos, um mandamento que hoje, mais do que nunca, precisa ser seguido ao pé da letra.

Polarização mundial

    Eu não sei se já comentei com vocês, mas algo que deveria irritar a todos, na minha mais sincera opinião, seria a polarização das coisas. Seja seus ideias políticos, orientação em todos os aspectos, tudo hoje, para a maioria das pessoas, possuem apenas dois lados. Ou isto ou aquilo, se você não faz parte destes dois lados é automaticamente excluído, e duramente criticado. Mas a questão é: Com bilhões de pessoas no mundo, podemos mesmo dividir todos eles em dois únicos lados?
    Vocês provavelmente já sabem o que eu penso sobre isso, somos seres humanos completamente diferentes uns dos outros, e é isso que nos torna especiais, nem mesmo irmãos gêmeos são iguais, quem dirá pessoas que jamais se conheceram. Em tempos que a política brasileira anda confusa, a polarização fica para as ideologias de esquerda e direita, mas será mesmo que mais de 200 milhões de brasileiros podem ser divididos em dois únicos grupos? Eu mesmo já fui duramente criticado nas redes sociais, por defender alguns ideais de ambas as partes, "Está em cima do muro?", "Tem medo de demonstrar a verdadeira ideologia?", essas foram algumas perguntas que enfrentei, e o principal motivo de me silenciar em algumas redes sociais.
    E o grande problema é esse, se calar com medo de sofrer críticas, que não são nem um pouco construtivas, já que ofendem diretamente a pessoa. E não é só na política, a sociedade LGBT sofre todos os dias com essa polarização, é alvo de críticas e até mesmo violência física, algo absurdo para qualquer sociedade e principalmente a nossa, evoluída tecnologicamente, mas com uma mente tão pequena para aceitar a realidade alheia (o que na minha opinião não deve ser questão de aceitação, mas sim de respeito).
    Então com alguns exemplos da nossa sociedade, eu lhes deixo um humilde conselho: Não dividam as coisas mundanas conforme seus ideais, e torne isso uma verdade universal. Existem milhares de pessoas diferentes de você, pensamentos diferentes que não precisam ser excluídos, mas sim completados. Somos pessoas que devem valorizar as relações de interdependência, e não de exclusão. Escute mais, fale mais, e aceite mais, só assim iremos aprender cada vez mais.

Review: Sobreviveu a Auschwitz: Liliana Segre, uma das últimas testemunhas de Shoah - Emanuela Zuccalá


Título: Sobreviveu a Auschwitz
Subtítulo: Liliana Segre, uma das últimas testemunhas de Shoah
Coleção: Superação
Titulo Original: Sopravvissuta ad Auschwitz
Autora: Emanuela Zuccalá
Tradutor: António Maia da Rocha
Gênero: Biografia
Faixa etária: -
Editora: Paulinas 
Ano: 2015
Edição: 1
Idioma: Português
Páginas: 232
Onde comprar: Editora Paulinas

Sinopse: Liliana Segre, nascida em Milão em 1930, é uma das últimas testemunhas da Shoah. De família judia não praticante, em fevereiro de 1944 foi deportada para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkanau. No campo, perdeu o pai e os avós paternos.

Em janeiro de 1945, fez parte do "cortejo de fantasmas" que os nazistas obrigaram a caminhar de campo em campo, à noite, para escondê-los aos olhos do mundo: a marcha da morte. Libertada nos arredores de Ravensbrück, no dia 1o de maio de 1945, regressou a Milão quatro meses depois.

Um casamento feliz e o nascimento de três filhos restituíram-lhe o amor pela vida. O longo silêncio da sua adolescência como prisioneira interrompeu-se em 1990, quando decidiu tornar-se testemunha pública da Shoah, para que a memória da história fique alerta para o futuro.

Nesta obra, Liliana conta em detalhes o seu dia a dia no campo de concentração de Auschwitz, a sua percepção sobre os outros prisioneiros e prisioneiras, as perdas sofridas e o sofrimento pelo qual passou. Impressiona-nos a sua ausência de ódio, o seu amor à vida, a sua capacidade de perceber os sinais de vida mesmo em lugares de morte.

Contudo, neste livro há também o testemunho de como é alto o preço psicológico pago para conseguir superar tantos horrores e fazer deles objeto de testemunho. 

Este livro é uma cortesia da Editora Paulinas.

Não contém Spoiler.
"E naquela aventura especial eu era a heroína, uma garotinha que corria pela montanha de inverno, e a mão do meu pai representava tudo para mim." - página 42
Olá!

A sinopse desse livro já é bem detalha em relação ao que você irá encontrar. Não é aquelas sinopse que não dá visão do que está por vi ou enganadora. Isso é ótimo. O único ponto negativo é que vejo spolier nela. Para não ficar muito repetitivo eu decidir resumir em um paragrafo a história e partir direto para resenha. Então recomendo que antes de ler a resenha lê a sinopse acima.

Com uma das maior atrocidades causada na história humada durante a segunda guerra mundial, você irá conhecer a história de Liliane. Pelo simples fato de ser judia, ela e sua família começa a passar por eventos aterrorizante que vão se agravando rapidamente. Liliane e o pai tenta fugir para Suíça ilegalmente. Deportados e capturados, eles se torna prisioneiros da polícia nazista, assim começa  a jornada medonha nos campos de concentração.
"Deixei para sempre a sua mão e nunca mais o vi, mas naquele momento não sabia disso." - página 61
A incerteza do amanhã é apenas um dos horrores da guerra. Ela é capaz de levar tudo que você tem. Sobreviveu a Auschwitz vemos como o homem pode ser manipulado e muitas vezes prefere fingir que não está vendo o que acontece ao seu redor do que tomar uma simples atitude. Vemos a crueldade que uma pessoa é capaz de cometer. Conhecemos melhor a história da segunda guerra mundia. Há também referencia de outras obras.

O foco é a memória de Liliana, sua visão da história. Conta as pavorosas situações que passou, mas também com ela se fortaleceu para seguir a diante. Como teve coragem de ser uma testemunha, apesar da dor que sente todas as vezes que lembra pelo o que passou e das pessoas que perdeu por essa astrosidade. Não conhecemos apenas o período dela na guerra, mas também o que aconteceu depois. Também relatos de suas palestra, há um impressionante que não vou dizer para você mesmo conferir.
Eu só desejava tratar das feridas e ser amada sem restrições; em vez disso, eu sentia-me continuamente julgada. - página 174
Recomendo esse livro porque, ao ler o livro você tem uma visão da história do lado de dentro. Pelos olhos de uma sobrevivente. E não uma visão livro didático de uma escola. É conta sobre o passado e o presente, de forma natural e nada fica confuso ou com pontas soltas. É uma história impressionante. Vale apena ler! Em relação a gráfica, tudo ok. Não apenas a história está interessante, mas a apresentação e a introdução do livro.
"A memória não é só uma acumulação de dados, porque temos emoções, sentimentos e instintos. Os nossos processos de conhecimento não são apenas racionais. A memória não é um objeto, é algo palpitante. E agora ouçam este testemunho, é para vocês. Talvez não percebam tudo o que ela vai dizer, mas com toda certeza permanecerá agindo em vocês." - página 24

Rapidinha Aju


“Céu todo azul/ Chegar ao Brasil por um atalho/ Aracaju/ Terra cajueiro papagaio” (Caetano Veloso – Aracaju)

Na minha cidade, os recintos são carregados de estereótipos. Quer dizer, alguns abestalhados rotularam os lugares. Tem o shopping da classe média e rica, o Shopping Riomar, e o shopping do povão, da classe C, D, E, o famosinho Shopping Jardins. Só que não para por aí, tem até os parques catalogados para determinados “tipos” de pessoas. Quem não gosta de relaxar no píer do Parque dos Cajueiros? Bom, só se você for da família tradicional brasileira, porque se não encaixar neste padrão, vá para o Parque da Sementeira lugar adequado para quem é banda voou.
Mas eu gosto mesmo é de ir para as festas, particulares é lógico. Augustus Produções pense numa empresa boa para produzir festa massa. Apois meu fio, num é que também classificaram o lugar que a pessoa fica. Comprar ingresso pista é pra povão, gente da ralé, pobre; tem mesmo é que adquirir ingresso camarote, lugar de gente fina, rica, que esbanja poder. Mas que saco hein. Então que tal aproveitar, o tradicional Forró Caju? Que nada, para alguns aracajuanos, essa festa é só para os bairros periféricos da cidade.  Quem vai se arriscar a ir num evento com o pessoal do Bairro Santos Dumont, Olaria, Bugio, Lamarão, Novo Paraíso, América dentre outros. Chique mesmo é ir pro Arraiá do Povo, na Orla de Atalaia, freqüentado pelos cidadãos da zona sul, do Bairro 13 de Julho, Jardins dentre outros.
 Universidade Tiradentes ou Universidade Federal de Sergipe? Bom, se você for rica, cool, moderna, ou apenas se amostrar que é tudo isso, a opção é a Unit, universidade de glamour, de gente fina, classe A. Mas se você for uma pessoa que ta nem aí para as regras da sociedade, da classe E, usuária de drogas, a opção mais óbvia é UFS, lugar de gente desleixado, ralezada, sem status.
                                 Welcome to Aracaju!